Sempre relacionados à nobreza, a membros do alto clero ou da própria realeza, os palácios são edifícios suntuosos que além de garantir a seus moradores todo o conforto também refletem todo o poder do qual eles desfrutam.
Há vários espalhados pelos mais diversos cantos do globo, geralmente repletos de histórias. O melhor é que boa parte deles esta aberta a visitação e estão tão bem preparados que conseguem levar aos visitantes diretamente a época em que seus mais ilustres moradores andavam por seus corredores.
Programando sua próxima viagem? Então que tal incluir alguma dessas “máquinas do tempo” em sua lista de destinos? Para ajudar na sua decisão, o Eu Já Fui selecionou alguns palácios que com certeza valem o passeio.
Versailles

Um monumento à pompa e riqueza dos Bourbon: iniciado por Louis XIV (o famoso Rei-Sol) em 1668, nos arredores da cabana de caça de seu antecessor, Louis XIII, Versailles é hoje um dos palácios mais lembrados do mundo.
Segundo estudos conduzidos por um economista, o custo de edificação de Versailles equivaleria em nossos dias a um mínimo de 12 bilhões de dólares, e a manutenção de todos os luxos do Rei Sol e sua corte correspondia a quase 25% do PIB francês da época: Não foi à toa que estes excessos culminariam com a Revolução Francesa.
Tudo no local é monumental: são mais de duas mil vidraças, setecentos cômodos, mil duzentas e cinquenta lareiras, sessenta e sete escadas e 1800 acres de jardins, incluindo aí os Jardins Ingleses, o lindo refugio idealizado por Maria Antonieta.
O cenário é de tirar o fôlego, e as reformas recentes do salão dos espelhos e do teatro, bem como o dedicado trabalho de busca por mobília de época autêntica tornam a visita ainda mais bela!
Schönbrunn

A origem do palácio de Schonbrunn remonta ao século XIV, quando era ainda conhecido como Katterburg. A propriedade passou pela posse de alguns membros da nobreza local antes de chegar às mãos da célebre família Habsburgo em 1569, quando o Imperador Maximiliano II adquiriu a área na intenção de expandir a área de lazer da família real.
Gerações de Habsburgos moldariam cuidadosamente a região, que de área de caça e recreação transformou-se no magnífico palácio de verão da família imperial.
Luxuoso mas com um agradável clima campestre, Schonbrunn tornou-se a residência favorita de alguns nobres, como o Imperador Franz Joseph e sua esposa, a Imperatriz Elizabeth da Áustria, mais conhecida como Sissi. O palácio é mantido praticamente intocado desde então, e muitos dos aposentos ocupados por este casal imperial contém objetos de trabalho e lazer e até mesmo fotos da família sobre as estantes e escrivaninhas.
O palácio é cercado por uma belíssima área verde, misto de jardins formais e mata. Na parte mais alta da colina aos fundos está o Gloriette, monumento erigido por ordem da marcante imperatriz Maria Thereza em glória aos ancestrais da família, lembrando sua missão, como sucessores do império romano.
Várias fontes espalhadas pelos belos caminhos completam o clima bucólico do conjunto que conta ainda com o primeiro jardim zoológico do mundo.
Pitti

Na segunda metade do século XIV, o banqueiro Luca Pitti iniciou a construção de um palácio ao mesmo tempo sólido e enorme, com um único objetivo claro: superar as residências dos Médici.
O lado irônico é que a manutenção do palácio, cuja arquitetura é atribuída a Bruneleschi, quebrou os herdeiros de Pitti e foram justamente os Médici que acabaram por adquirir o palácio, ampliando e transformando-o em sua residência oficial!
Um dos principais monumentos de Florença, o Palazzo Pitti abriga impressionantes obras de arte e objetos que pertenceram aos Médici, além de um belo jardim renascentista, o Giardino di Bóboli.
A visita aos jardins é de fato um dos pontos altos do passeio! A grandiosidade, a simetria e a impressionante vista da cidade e do próprio palácio conseguem arrebatar o mais exigente dos visitantes.
Residenz

A história da Alemanha da idade média e do renascimento é de certa forma em muito marcada pela figura dos então chamados príncipes-bispos. Estas figuras, híbridas entre o religioso e o político, nasceram durante o período do Sacro Império Romano Germânico e perduraram até seu fim, quando o governo foi novamente secularizado, apartando as questões religiosas das questões seculares.
Durante estes anos, os príncipes-bispos gozavam de grande poder e prestígio, e prosperaram de tal forma a construir grandes palácios por todo o país que rivalizavam em beleza com as residências e sedes de poder dos monarcas absolutistas europeus.
De todos estes fascinantes palácios, Residenz, em Würzburg é possivelmente o mais vívido e notável exemplo: em fabuloso estilo rococó foi iniciado em 1683, e conta com dezenas de cômodos fantasticamente ornamentados, incluindo esplêndidos afrescos do mestre italiano Tiepolo.
A propriedade é coroada com imensos jardins formais, que incorporaram diversas tendências da época, principalmente o barroco. Desenhado em dois níveis, as diferentes alturas, aliadas as belas estátuas espalhadas pela propriedade, criam uma paisagem muito especial.
Durante os bombardeios ocorridos ao final da Segunda Guerra Mundial, Residenz foi fortemente impactada, mas seu teto resistiu e, apesar dos enormes danos, pode ser totalmente restaurada, atingindo o status de Patrimônio da UNESCO em 1981.
Hampton Court

Em 1514 o poderoso arcebispo de York e primeiro-ministro do rei Henrique VIII, Thomas Wolsey, arrendou uma grande propriedade nos arredores de Londres, as margens do rio Tâmisa, e lá reconstruiu e ampliou o belo solar do século XIV convertendo-o em sua residência de campo.
A grande opulência do palácio, considerado um dos mais refinados da época, acabou atraindo a inveja de Henrique e Wolsey, que já não mais contava com as boas graças reais, acabou entregando a propriedade como um presente ao monarca.
Henrique realizou uma nova reforma e ampliação, dando ao edifício características típicas da arquitetura Tudor, e passou a utilizá-lo constantemente. Foi em Hampton Court que a terceira esposa de Henrique e sua preferida, Jane Seymour, deu a luz ao príncipe Eduardo, futuro sucessor do monarca.
Uma nova reforma foi realizada no final do século XVII pelos reis Guilherme III e Maria II onde vários dos anexos de Henrique foram demolidos e toda uma nova ala construída.
A partir da segunda metade do século XVIII os monarcas tenderam a favorecer os palácios londrinos, sendo alguns de seus aposentos ocupados apenas por alguns poucos afortunados que gozavam amizade real.
Finalmente em 1838 a rainha Vitória, após um grande trabalho de restauro, decidiu abrir o palácio ao público.
Hampton Court abriga uma maravilhosa coleção de móveis, pinturas, tapeçarias e obras de arte que pertenceram a vários dos monarcas que o ocuparam desde a sua construção, com grande destaque ao famoso Henrique.
O passeio a Hampton Court não esta completo sem uma visita demorada ao maravilhoso jardim, com suas lindas alamedas rodeadas por árvores frondosas, plantas exóticas e graciosos canteiros floridos.